As seivas do vitral iluminam o silêncio
Sob o caramanchão de olhos verdes onde Maria sorri...
Passa debaixo do arco verde...
Um braço de baloiço incensa o silêncio
Com uma ponta do vestido que sobe e canta!
Aqueles com quem falou envelhecem os domingos
Em honra de outrora.
A claridade das suas mãos reflectem o silêncio
Que estria
Sobre a estrada, do lado de fora, ciclistas que fazem
Um ruído de libélula - que toca e ecoa...
Debaixo do arco verde que a torna pálida, ela sorri...
O meu coração bate à porta
Na sombra...
Amo-a demais para lhe dizer...
Acontece no meu copo,
Como asas transparentes,
Os seus gestos, o seu sorriso...

Tonnelles
Des sèves de vitrail éclairent le silence
Sous la tonnelle aux yeux verts où sorrit Marie...
Passe sous l'arceau vert...
Un bras de balançoire encense le silence
Avec un bout de robe qui monte et qui cante !
Ceux dont il est parlé causent des vieux dimanches
En l'honneur d'autrefois.
Les lueurs de ses mains reflétent le silence
Que strient
Sur la route, au-dehors, des cyclistes qui font
Un bruit de libellule - qui ponte et qui plie...
Sous l'arceau vert qui la rend pâle, elle sourrit...
Mon cœur frappe à la porte
Dans l'ombre...
J'aime trop pour le dire...
Il passe dans mon verre,
Comme des ailes claires,
Ses gestes, son sourire...
Léon-Paul Fargue, Pour la musique, 1914.
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